O que é o FIES
O FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) é o programa do governo federal que financia a graduação em faculdades privadas. Diferente do PROUNI (que é bolsa), o FIES é um empréstimo: o governo paga a faculdade durante o curso, e você devolve o valor depois de formado, em parcelas longas e com juros baixos.
Em vigor desde 1999 (e ampliado fortemente entre 2010 e 2014), o programa já atendeu mais de 3 milhões de estudantes. A modalidade tradicional convive hoje com o P-FIES (operado por bancos privados, com regras próprias) e tem se mantido como uma das principais portas de entrada para estudantes de classe média que não se encaixam no PROUNI.
FIES Tradicional vs P-FIES
Há duas modalidades disponíveis hoje:
- FIES Tradicional: operado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Juros baixíssimos (frequentemente 0% para renda per capita até 1,5 salário mínimo). Tem teto de vagas anuais e seleção via nota do ENEM + critério socioeconômico.
- P-FIES: operado por bancos privados (Caixa, Santander, etc.) com aporte parcial do governo. Juros mais altos que o tradicional, mas vagas maiores. Pode financiar cursos não cobertos pelo FIES tradicional.
Quem pode contratar
Para o FIES tradicional, você precisa cumprir:
- Ter feito o ENEM a partir de 2010 com média mínima 450 nas 4 áreas e nota da redação maior que zero.
- Renda familiar bruta mensal de até 3 salários mínimos por pessoa.
- Não ter diploma de graduação prévio.
- Ter cadastro regular no Sisfies (sistema de inscrição).
Para o P-FIES, cada banco operador define seus critérios — em geral, mais flexíveis em renda, mas com avaliação de crédito do estudante ou fiador.
Calendário do FIES 2026
- 1ª edição: inscrições em fevereiro/março
- 1ª chamada: cerca de 5 dias após o encerramento
- Lista de espera: ativada após a 1ª chamada
- 2ª edição: inscrições em julho/agosto, vagas remanescentes para o 2º semestre
Quanto o FIES financia
O percentual financiado depende da sua renda per capita:
- Renda per capita até 0,5 salário mínimo: até 100%
- Renda per capita até 1 salário mínimo: até 75%
- Renda per capita até 1,5 salário mínimo: até 50%
- Renda per capita até 3 salários mínimos: até 50% (com avaliação)
Existe também um teto absoluto por curso, definido pelo MEC. Cursos como Medicina têm tetos maiores que cursos como Pedagogia. O valor não financiado é por sua conta.
Como funciona o pagamento
O grande diferencial do FIES é a estrutura de pagamento, dividida em 3 fases:
- Utilização (durante o curso): você paga só uma coparticipação trimestral pequena (geralmente menos de R$ 200) para cobrir o seguro obrigatório.
- Carência (18 meses após a formatura): tempo para você se estabilizar profissionalmente. Continua pagando só a coparticipação.
- Amortização: parcelas mensais por até 3 vezes a duração do curso. Os juros são baixos no FIES tradicional, mais altos no P-FIES.
Combinando FIES com outras formas de bolsa
FIES e PROUNI podem ser combinados quando você tem PROUNI parcial (50%) — usa o FIES para financiar o restante, ficando sem mensalidade para pagar do bolso durante o curso. Veja as regras do PROUNI.
Combinar FIES com bolsa do Bolsa Click também é possível em algumas faculdades parceiras: a bolsa reduz a mensalidade base e o FIES financia o que sobrar. Resultado prático: mensalidade quitada na maior parte, sem pagar do bolso durante o curso. Consulte a oferta antes de fechar.
FIES vale a pena?
Depende do seu cenário: se você consegue PROUNI integral, é melhor que FIES (não precisa devolver). Se não, e o curso/faculdade que você quer está disponível pelo FIES tradicional com juros baixos, é uma boa alternativa — você se forma com diploma e começa a pagar depois de empregado. Se a renda não se encaixa e você quer flexibilidade total, a bolsa direta do Bolsa Click (sem dívida no fim) costuma ser melhor caminho.